O último bilhete

A quebra do seu verso, entre o adjetivo e o verbo, fica ecoando na minha mente.

​Você tinha razão sobre ser como a cocaína: é energizante, voraz e de realidades rápidas. Quando você disse que eu acordo meus demônios quando bebo, quando você me viu faminta... eu quase vi o seu avesso. Quase.

​Por hora ando quieta, rondando os seus manifestos, em silêncio. É que tenho essa fome selvagem e cautelosa, quero comer, mas não quero ferir. Eu cerco e farejo porque a sua existência me alimenta, no meu fazer e no meu criar. Somos dois canalhas viciados naquilo que só existe onde imaginamos.

​O ônibus chegará em breve. Não sei se desembarco na sua calçada amanhã ou se prefiro ir para casa e fumar sozinha.

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